*Dia 04/10 é dia de São Francisco de Assis, padroeiro dos animais
Uma personagem secundária de Milan Kundera – Marie-Claude, em A Insustentável Leveza do Ser – era elogiada pela capacidade de “metamorfosear tudo o que vivera”:
— Sofri um acidente e foi maravilhoso! Nunca me senti tão bem como no hospital! Não conseguia fechar os olhos e lia sem parar, noite e dia.
Marie-Claude classificava os livros em diurnos e noturnos, conforme o horário que preferia ler cada tipo. É daí que vem a comparação que faço entre livros e animais.
Podemos gostar tanto dos livros que não queremos nos separar deles, sejam diurnos como os cães ou noturnos como os gatos. Apesar dos distintos horários de maior atividade, às vezes cães e gatos se encontram e se entendem. Alguns donos os levam para a cama e a maioria dos tutores sofre diante da separação.

Assim como há animais notívagos e diurnos, há livros que nos acompanham no café da manhã ou no chá da tarde, mas nem todos apreciamos ler à noite, na hora de dormir (pensei nos livros sobre medo, horror e morte – que podem nos deixar “passados” ou assustados). Certamente é questão de afinidade ou gosto. À noite prefiro algo leve, que faça sorrir ou ter bons sonhos.
Por isso entendo Marie-Claude, que vê o lado positivo de se acidentar e ficar de cama. É a possibilidade de estar noite e dia com os escritos que amamos e até nos apaixonamos – assim como acontece com os cães e os gatos –, mesmo que nem todos levemos para a cama.
O que você acha? Tem preferências de tipos de livro segundo a hora do dia?