O primeiro passo para aprender a escrever, já vimos, é ler e ler e ler. Depois vem outro passo importante, que é praticar a escrita sem medo e sem censura: escrever, escrever e escrever.
Na hora de escrever esqueça a censura
Escrever sem censura, com a bagagem que já temos em determinado momento e apesar de toda a imperfeição. Ainda que haja quem pregue que ser escritor não é para qualquer um e que nem todo mundo nasceu para ser escritor. São os censores que devemos olvidar, embora devamos conhecer as nossas limitações.
Transcrevo algumas palavras do blogueiro Henri Junttila, no livro Write blog posts readers love: a step-by-step guide:
“Your writing is what it is. You can’t change that. […] can’t outthink it by “finding your voice”. You have to start where you are with what you have. […] Always keep writing. No matter anyone tells you. No matter what that inner voice whispers. If writing brings you joy, then write, because it is only through writing that you will improve”.

A longa jornada para aprendizado da escrita
Continuo com dois ditos populares: Toda longa jornada começa com o primeiro passo e Devagar se vai ao longe. Fosse um texto literário, diriam que comecei com clichês. Xô censores! Os dois ditados refletem claramente o que quero dizer.
A censura do que escrevemos, partindo de nós mesmos ou de terceiros, congela nossos passos e esfria o coração, impedindo que sejamos criativos e tirando de nós o prazer da escrita. E, pior, impedindo o próprio aperfeiçoamento, que exige escrever sempre. Sobre o assunto, sugiro a leitura de O Caminho do Artista, de Julia Cameron.
Assim como precisamos ler e ler e ler para sermos bons escritores, a aprendizagem da escrita exige a prática de escrever e escrever e escrever. A prática leva à perfeição (outro clichê, avisa o censor interno).
Decerto os primeiros escritos percorrerão uma longa jornada até estarem maduros e prontos para publicação, mas é preciso começar a escrever o que nos dá prazer e dizer aquilo que temos a dizer, ainda que duvidemos da nossa bagagem.
Só não podemos ficar congelados pelo medo da censura e da imperfeição, à espera de uma musa que conduza as nossas mãos na escrita de textos tão bons quanto os de Machado de Assis ou Clarice Lispector.
Então aprender a escrever é só praticar a escrita sem medo e sem censura?
Em primeiro lugar, vamos com calma. Vejamos o que dizem os mestres.
No livro Os Segredos da Ficção o escritor Raimundo Carrero fala que a escola brasileira deixou a desejar quanto à criação e que esperamos demais do talento e inspiração. Ele propõe: É preciso “desmanchar o mito de que só algumas pessoas têm capacidade para a invenção”.
Carrero ensina que o desenvolvimento da qualidade inicia com obediência à “voz narrativa e ao impulso – escrever e escrever e escrever”. E o que é importante: “sem preocupação com o resultado”. Só depois é a vez da Técnica e da Pulsação narrativa. Mas isso é outra história.
Logo, sigamos o conselho despretensioso de Henri Junttila, no início do texto:
— Always keep writing!
(Mas não estamos falando em propaganda de uísque).
E não esqueça: é preciso praticar a escrita sem medo e sem censura, só assim experimentamos uma atividade criativa que nos dá prazer.
Que tal começar a escrever agora?
Você já começou a escrever? Que acha de escrever sobre algo que ocorreu hoje, ontem ou em algum momento passado, quem sabe até o que poderia ocorrer no futuro? Aos poucos acumularemos aprendizados e escritos, ainda que imperfeitos e fragmentados, que poderemos recortar e montar. Daí pode até surgir um conto ou um livro, desde que rompamos com o imobilismo.
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